quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Da série "curtas": Saúde (não) é o que interessa

Hoje eu tive um minuto de reflexão. Voltando a pé do supermercado, cruzei com algumas pessoas caminhando na praça em frente de casa, se exercitando, cuidando da saúde. Essa visão me fez abraçar com mais força, a caixa de cerveja que eu trazia comigo. #vocesestaofazendoissoerrado

sábado, 17 de dezembro de 2011

Puliça

Estava eu agora pouco comprando um açaí, quando um policial militar chegou no balcão e começou a puxar papo comigo, outro cliente e a mocinha do caixa. Aparentemente, esperando o melhor momento para flertar com ela.

Até aí, tudo bem. Válido. 

Num dado momento, o PM falou assim: “-Não é assim que as coisas funciona, nem o tenente tem esse poder. Pra mim ser mandado embora, só o governador do estado que pode fazê isso”.

Eu senti. Sim, doeu. Aquele Brexter, o assassino em série da língua portuguesa mexeu comigo. Nessa hora, me baixou um espírito “ruivo” (essa nem todo mundo vai entender) e por impulso eu dei uma de Google e disse: “-Você quis dizer para EU ser mandado embora né?”

Foi quando ele olhou pra mim, sorriu e respondeu: “- Ah, você também é da polícia?”

Dei boa noite, peguei meu açaí e fui embora.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Eu não devia assistir Fringe

Você sabe o que é Fringe? Fringe é uma série de TV muito legal, dos mesmos criadores de LOST. Ela conta basicamente sobre a história de uma divisão especial do FBI que investiga casos, a princípio, “inexplicáveis”. As tramas são bem elaboradas, muitas teorias malucas, cérebros dessecados, amores ocultos e, sobretudo, ações mirabolantes da polícia, tiros, perseguições e aventuras. Bem legal.

Ok, agora é a parte que vocês se perguntam. Tá bom, Bruno, mas por que você não devia assistir Fringe?

A-há, boa pergunta! Vamos lá...

Muitos de vocês sabem que eu trabalho desenvolvendo sites e sistemas para internet e que me especializei em portais de notícias para jornais e, especialmente, cuido de todos os veículos on-line de um grupo de comunicação grande de Minas Gerais. Anyway. Sites grandes são muito acessados e, junto com os internautas, chegam também os inúteis #fdp dos hackers. Lutar contra invasões, alterar códigos, mudar esquemas de segurança é uma luta diária nessa área.

Bem, eis que alguns meses atrás, recebi um e-mail de um aprendiz de hacker, dizendo que eu deveria tirar um dos sites do ar até uma determinada data para corrigir as vulnerabilidades que lá existiam e ainda deveria colocar uma aviso agradecendo-o por me ajudar, ou ele mesmo faria isso. É claro que cercamos as possibilidades, eu não tirei o site do ar e ele não foi invadido. Mas esse rapaz cometeu um erro grave: ele me mandou um e-mail. Vou dar uma dica pra vocês agora. E-mails são “rastreáveis”. Nunca ameace alguém enviando uma mensagem por um “hotmail” criado “só pra isso”... porque dá pra chegar em você.

E foi aí que tudo começou...

Rastreamos o IP, que levou a outro reverso, e a outro e chegamos no provedor de origem. Ligações telefônicas. Passwords. Conversas gravadas. E eu me sentindo... no Fringe.

Trâmites legais feitos. Queixa na delegacia de polícia especializada. Documentação necessária. Cópia do rastro deixado. E eu me sentindo... no Fringe.

O encarregado do caso me liga e diz: - “Estamos com o mandado de busca e apreensão e vamos agora visitar a casa do suspeito. Quer vir?” CLARO que eu quero, eu TÔ no Fringe!

Saímos na viatura oficial. No início fiquei meio frustrado porque eu não ganhei nem arma nem colete à prova de balas, mas tudo bem, seguimos. Três carros pretos, sirenes ligadas e minha adrenalina subindo.

Segunda frustração. Eu achei que eles iriam chegar derrapando na frente da casa do delinquente, mas estacionaram correta e silenciosamente no quarteirão anterior. Pensei: - Deve ser parte do plano.

- “Número 48. É aqui”. Disse o encarregado.

Andamos até a porta. Meu coração batendo a mil por hora. Nessa hora ele parou por um segundo, virou para mim e disse: - “Bruno, eu sei que você está emocionalmente ligado ao caso, então vou pedir que você não fale nada, ok? Conto com a sua cooperação”. Eu apenas acenei com a cabeça.

Mas no momento em que o agente da polícia levantou o braço para bater, eu não me aguentei. Enfiei o pé na porta e saí gritando:

- “Efeeeeee Beeee Aaaaaaiiii! Todo mundo parado aeeeeeee!!!

Eu disse que não devia assistir Fringe! #olhaamerda

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Corrida maluca!

Essa história, conta a "corrida maluca" que tivemos para pegar (ou não) um voo de Amsterdam para Londres. Aqui, além da situação em si que foi hilária e de "tirar o fôlego", uma curiosidade interessante é que fui publicando e narrando os fatos pelo Facebook por partes, e a galera no Brasil, ia ficando maluca e curiosa com o "e ai, o que aconteceu?", e algumas vezes, o intervalo entre uma publicação e outra, levou horas...

A história foi mais ou menos assim...

Quem estava: Eu, Renata, Ricardo e D. Glenisi.

4 de outubro de 2011...

15h14 - Chegamos a Londres! Ainda nem saquei a máquina aqui, já que a viagem em si foi uma aventura a parte. Imagina você pegar um trem para o aeroporto, chegar lá 2 horas antes como diz no papel da companhia aérea, mas quando o trem pára, você espera no corredor outras pessoas na sua frente (que tem dificuldade de carregar a mala demasiadamente grande pelos corredores estreitos do trem), e por conta desses segundos a mais, você vê a porta do trem fechar e simplesmente.... partir. Somente o Ricardo tinha desembarcado. Quem quer tentar adivinhar como essa história terminou?

20h16 - Continuando... seguimos no trem sem saber muito o que fazer, pois não tínhamos sequer noção de para onde ele estava indo nem quanto tempo demoraria ate a próxima estação. Foi quando reparamos um pequeno mapa na parede do trem que sinalizava que a próxima parada seria em Haia, já quase em Rotterdam. Decidimos então descer lá e pegar outro trem de volta ao aeroporto. O único problema eh que nossas passagens já tinham perdido a validade e tínhamos que decidir: ou perderíamos preciosos minutos comprando novas passagens ou arriscaríamos voltar sem tickets e se fôssemos pegos, perderíamos ainda mais tempo explicando em um inglês não tão convencional, tudo o que tinha acontecido... Arriscamos!

21h20 - Sim, demos sorte... Ninguém nos pediu bilhetes novos e chegamos ao aeroporto 1h20 antes do embarque... e foi aí que começou a primeira maratona brasileira dos 2 mil metros com barreira no aeroporto de Amsterdam! Só de curiosidade, procurem no Google Maps e olhem o tamanho do aeroporto de lá... É gigante! Depois de percorrer, correr, esbarrar (e por aí vai) uma distância não menor que uns 700 metros, encontramos o check-in da companhia aérea... Mas era o errado! Corremos pro outro lado e quando minhas pernas pareciam não mais aguentar e eu estava realmente disposto a desistir, vimos o Ricardo (lembram dele? O único que tinha saído do trem?) na "portinha" da fila do check-in, sem saber se embarcava e ia sozinho pra Londres ou se esperava e participava dessa verdadeira "corrida maluca". Fizemos então o check-in do voo e entre olhares de desaprovação da tripulação pelo nosso atraso despachamos nossa bagagem. Final feliz? Vocês que pensam... Foi nesse momento, que a verdadeira corrida começou...

22h28 - Iniciamos então novamente a corrida, dessa vez com menos peso (apenas a bagagem de mão que com câmera, guias e eletrônicos, deve chegar a mais ou menos dois quilos). Eu e D. Glenise nos perdemos do Ricardo e da Renata, já que os dois "fofos" passaram na aduana com o passaporte europeu, enquanto tivemos que ficar na fila do "resto do mundo". Pelo meu bilhete, faltavam apenas dois minutos para encerrar o embarque. Pensei: nos encontramos no avião (ou em Londres), e corri como nunca, seguindo as placas para a plataforma D que indicava no meu bilhete, até que as placas se dividiram. Da D1 até a D23 era do lado esquerdo... da D24 até a D48, pro lado direito e meu bilhete não informava nenhum número! Vocês estão tendo noção do tamanho desse aeroporto? Só a plataforma D tinham 48 pontos de embarques diferentes e eu vi placas de pelo menos até a letra H! Enfim, parei para pedir informação e procurar meu voo dentre centenas de outros nos painéis eletrônicos para saber o número correto da plataforma. Nessa hora, faltavam cerca de 40 segundos para encerrar o embarque...

22h46 - D14, era essa a plataforma de embarque do voo 8112 das 10h20am com destino a Londres. Voltamos a correr e numa daquelas curvas cinematográficas que daria até pra fazer uma bela tomada em câmera lenta onde o personagem principal dá quatro ou cinco passos para o lado quase trombando com o funcionário do aeroporto que carregava trinta e sete carrinhos de bagagens enfileirados, foi quando fui ultrapassado nessa corrida pela primeira vez! Era a Renata e o Ricardo, a zilhão por hora, que vieram sabe se lá de onde. Um deles, quando olhei de relance, ainda pulou uma pequena garotinha que brincava tranqüilamente com sua boneca de pano. Dobramos a esquerda e avistamos um corredor enorme e a ultima plataforma, antes da próxima curva, era a nossa... a D14... Ainda faltavam 12 segundos...

23h05 - Mesmo exausto e com bolhas nos dois pés (essa parte eu nem tinha contado) não me dei por vencido. Apertei a perna e ultrapassei novamente Ricardo e Renata que diminuíram um pouco o ritmo. Demorei cerca de 30 segundos para chegar lá, sabia que meu tempo tinha se esgotado, mas eu não estava disposto a morrer na praia depois de nadar tanto. O guichê do raio-x já não tinha mais passageiros, mas dois funcionários ainda estavam lá. Um deles pediu para eu colocar além da mochila na esteira, também meu passaporte. Olhei pra trás e os outros também já estavam chegando. Tranqüilizei-me por um momento. Quando fui passar no detector de metais, o trem começou a apitar mais que vuvuzela na copa da África do Sul. E eu pensei, "puta merda, logo agora?"... Mas eu não tinha mais nada nos bolsos e olhei com cara de desespero pra um holandês de quase dois metros de altura que me chamou para a revista...

23h20 - Enquanto eu estava desconfortavelmente sendo revistado, o cara do raio-x, ao olhar o meu passaporte gritou: "é brasileiro"! E foi ai que tudo mudou. O camarada parou de me revistar e disse num português arranhado: "Brasil, eu morou em Brasil, em Rio de Janeiro". Eu confesso que eu fiquei aliviado por dois motivos: o primeiro porque ele parou de me revistar e o segundo que é bom você ver que um funcionário da empresa que poderá te ajudar a parar o avião se for preciso, gosta do seu País e simpatiza com seu povo! Foi quando eu resolvi fazer uma pergunta simples pra ele que mudou o meu dia: "Você acha que da tempo de pegarmos esse voo?" E com um largo sorriso na cara ele me respondeu: "Para Londres as 10h20? Claro! Não se preocupa não que ele está atrasado!" #PUTAQUEOPARIU

Funicular

Barcelona, 20 de outubro de 2011. Eu e o Ricardo (meu cunhado) saímos com a intenção de explorar mais essa bela cidade a pé. E depois de conhecermos a obra da vida de Galdi - a Sagrada Família - resolvemos subir ao "Tibidabo", que segundo nos disseram, é o lugar onde tem a melhor vista de Barcelona junto a um parque de diversões em funcionamento desde 1901.

Para chegar até o mirante, precisaríamos pegar uma espécie de bonde bem íngreme que na Europa é conhecido como "Funicular". Ele é meio que uma mistura de elevador com bonde sobre trilhos.

Num dado momento, eu e o Ricardo meio que nos perdemos, e precisamos parar pra pedir informação, de onde exatamente iríamos pegar esse bondinho. 

Aí, como de costume, eu fui primeiro construir a frase na minha cabeça antes de falar, e era mais ou menos assim: "olla señor, me gostaria tomar uno funicular"... 

Bem, quando eu percebi o quão essa frase "soava estranho", eu virei pro Ricardo e disse: "-Ow, fala aí você que seu espanhol é melhor que o meu"!